domingo, 13 de novembro de 2016

COMUNS MORTAIS DOS 45 KMS


Muitos chamaram-nos heróis, máquinas, gigantes, grandes, valentes, ah e claro, malucos, doidos.

Nada disto.

Somos apenas comuns mortais como todos vocês, que decidiram testar-se ao máximo.

Choramos com as dores, pensamos em desistir quando a vontade de vomitar é mais do que a vontade de chegar ao fim, sentimo-nos com as forças sugadas ao limite ao olhar para a frente e ver um caminho ainda mais inclinado do que aquele que acabamos de fazer e que nos pôs de rastos, gritamos de desespero quando estamos perto e sentimos partes do corpo a querer falhar, rezamos a pedir ajuda para o sonho não ficar interrompido, sonhamos com o que vamos sentir no final, damos por nós a falar alto a negociar com o nosso corpo "levas-me até ao fim e eu amanhã trato bem de ti", gritamos "vamos juntos até ao final", ajudamos os nossos adversários indicando-lhes que estão no caminho errado, mesmo que eles estejam à nossa frente e a nossa vontade seja ultrapassá-los, puxamos por todos quando os vamos ultrapassando, mas também quando eles nos vão ultrapassando, ajudamos a organização arranjando alguma marcação que esteja caída, porque quem vem atrás merece todo o nosso respeito, preocupamos-nos em saber do estado dos que sabemos estar em dificuldades, mesmo que não saibamos quem são e mesmo sabendo que nunca mais na vida os podemos vir a ver outra vez, ansiamos e desesperamos pelo próximo posto de abastecimento, brincamos quando chegamos lá, tentando descomprimir um pouco mais para ganhar mais um bocadinho de forças para seguir, sorrimos ou choramos quando vemos a meta a aproximar, porque é o culminar de todas as sensações que descrevi acima.

Como vêem não fazemos nem mais nem mais do que todo e cada um faz no seu dia a dia.

Acima de tudo este grupo que está aqui na foto e muitos mais que conheço que estiveram ao nosso lado mas estavam nas fotos dos seus grupos, respeitam-se e uniram-se pelo sentimento do trail que nos faz sentir como irmãos.

No entanto quero confessar-vos uma coisa que me faz querer fazer sempre mais e mais difícil:

Quero ser um exemplo para vocês e com este exemplo tentar mudar o mundo.

Quero mostrar que se um "velhote" de 44 anos, que em 2015 tinha 80 kgs e detestava correr, que fez pela 1ª vez 15 km em novembro de 2015, que nunca tinha tempo para fazer exercício físico, porque as desculpas eram mais do que a vontade, que tem mazelas nos joelhos, que quando via uma subida parava e só pensava em desistir, que é um homem e que como todos os homens (dizem elas) não aguenta a dor (LOL!!!), se uma pessoa assim consegue, TODOS VOCÊS CONSEGUEM.

Não estou a dizer para correrem, fazerem maratonas, ultra-trais.

Estou somente a dizer para encontrarem os vossos próprios desafios, encontrem os vossos próprios "45 kms" e vão atrás deles.

Não desistam de lutar!!!

Não somos heróis.

Heróis são os polícias, os bombeiros, os professores, os médicos, os enfermeiros.

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