sábado, 3 de dezembro de 2016

O MEU LIVRO


Há escritos que permanecem.

Há projectos que nos marcam.

Há momentos que nos fazem pensar.

Há sonhos por realizar.

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

OS MEUS 45 KMS

Durante a semana, nem tive tempo de pensar muito no que ia acontecer, tal a ocupação profissional.
Mas como sempre também deixei rolar, para não começar a stressar.
Tinha decidido que só na própria 6ª feira ia tomar a decisão final.
No entanto, assaltavam-me muitas dúvidas acerca se estava a fazer o correto.
É que ninguém sabia, mas o sucesso ou insucesso destes 45 kms iam ser decisivos para a minha continuação nos trails, pois conforme acabasse tinha que perceber se valia a pena a dor e o sacrifício ou se pelo contrário tinha que perceber o meu limite.
Nisto a minha dama foi mesmo "psicóloga" e deu-me a reprimenda certa na altura certa.
O resto foi trabalho de casa e preparar fisicamente o que estava para vir, mas com descanso e calor, muito calor.
Chegada a 6ª feira, nem tive tempo de ir buscar o dorsal, mas consegui ir ao briefing e aí senti realmente o peso do que ia fazer. Dorsal nº 8. Que responsabilidade!!!


Entre os parabéns pela decisão de avançar, as caras cépticas, escondidas atrás de tentativas de disfarçar a surpresa e descrença desmascaradas pela humilde e sincera pergunta "Mas tu estás mesmo preparado?" e muito encorajamento e sinceros olhares de "Admiro a tua Loucura!!!", lá me fui capacitando que ia arrancar.

Jantar de Massa no Vitaminas com um Detox, porque nos Trail dos Morcegos e nos 33 do EPIC tinha dado certo e não vale a pena "mexer em equipa que vence", acompanhado pela Sónia Sousa, menina responsável por me ter metido nestas aventuras e que me deu um ensinamento fundamental para o que ia ser o sucesso destes 45 kms, quando um dia me disse:

"durante a prova ponho sempre o cronómetro para de meia em meia hora me avisar para comer alguma coisa"

A seguir a preparação normal do material, onde selecionamos coisas que parece que vamos acampar durante 3 semanas, mas a incerteza do que se possa apanhar em termos de variações térmicas com uma subida ao topo da Barrosa, mais uns assustadores 14 kms e tal, entre os 8 km do 1º posto de abastecimento e os 23 do 2º, ainda por cima sendo este último no cimo da Barrosa depois de estarmos sempre a subir e com o olho no relógio para não deitar tudo a perder passando a barreira horária das 4 horas 30, em total modo de autosubsistência física, alimentar e psicológica, a isto obrigam.

Certo é que na manhã do dia D há um conjunto de coisas que já fica em casa, numa decisão de última hora.

Ah, manhã do dia que com a ansiedade e dúvidas começou pelas 5 da manhã :D

Arranque no autocarro com 4 dos 7 "mais lindos".


Na Gorreana juntam-se os restantes.






E conversa daqui, conversa dali, brincadeira, revista, xixi e TÁ NA HORA!!!


Xiça Maluco, tudo a correr, pelo Chá acima!!!
(Acredito que muitos deixaram de gostar de chá só por aquela subida :D )

Mas por estranho que pareça, foi aqui o 1º sinal que poderia ser possível, pois no arranque não houve nenhum sinal das dores que haviam de vir.

Lá se foi seguindo sem grande desgaste e gerindo tudo com os bastões e a boa disposição.




O caminho era longo, duro, sempre a subir e aqui havia que ganhar tempo para a 1ª meta (8,45 km em 2 horas).

A partir desta última foto, foi praticamente uma corrida sozinho.
Sozinho, contra o percurso, contra o pensamento, contra o desespero, contra as dores.

Atingido o 1º objetivo, 8,45 kms em 1h 45. Boa!!! Siga.

Mas quando pensamos que está tudo bem, eis que 2 passos após sair do 1º abastecimento quando ia a passar perto de umas vacas, saltou-me ao caminho um monstro de um cão de fila a avançar e a ladrar tipo doido. Armei-me em Sérgio Soares voltei-me para ele, avancei e mandei-o para o pasto. Sabem que mais? O GAJO FOI!!!

Segui, mas com a preocupação de avisar quem vinha atrás para que tivesse cuidado com o bicho.

E aqui começou efectivamente a dureza, sem antes ter colocado uma fita no seu devido lugar porque tinha caído e ficava difícil saber para onde seguir.

Depois foi sofrer, fisicamente e psicologicamente, porque sabia que chegar aos 23,6 km no topo da Barrosa era o que ia definir o futuro. 4h 30? Seria possível? Tinha que ser, porque não sabia quais seriam os efeitos de outra desistência. Mas o corpo ia aguentar?

Atirei os pensamentos para trás das costas e segui o meu ritmo.

De meia em meia hora toca a meter alguma coisa na boca.

Tinha sempre na cabeça as palavras do Paulo Resendes "Esparrela":

"Comam antes de ter fome e bebam antes de ter sede".

Para além disto, no Ecologic os 23 kms foram a minha besta negra, também depois de um empeno para chegar a Santa Iria e vomitando pelo esforço e má-nutrição.

Passei pela famosa catedral sem me aperceber que o estava a fazer, talvez porque aqui as dores foram mais que muitas, especialmente nas descidas onde eu queria ganhar tempo que sabia ir ser muito necessário para a subida final. Não conseguia. Doía muito e começou a dúvida: "Não devias ter vindo. Isto não vai dar certo. Vais magoar-te a sério".

O medo e receio era muito, de tal forma que de tanto cuidado, comecei a defender o joelho e dei um valente trambolhão, daqueles que se fosse 5 metros à frente teria caído por uma ravina (foi filmado por um runner).

Mas estava a seguir e aqui a chave foi sem dúvida a maravilhosa vista que permitiu relaxar e usufruir da maravilha que são as nossas terras. Sublime.

No meio de tudo, lá cheguei à subida final rumo ao tal posto e barreira chave da prova: a Barrosa.

Aqui tomei uma decisão:

"Tenho uma hora e meio para fazer +/- 3 kms. Sei qual é o ritmo que necessito, mas vou fazer ao ritmo que posso. Se der deu, se não der que se lixe".

E segui, parei, segui, sentei-me, levantei-me, parei, segui, desesperei ao olhar para cima e ver o que faltava quando já estava sem pinga de força, comecei a sentir náuseas, lembrei-me do Ricardo Andrade a sonhar com Coca-cola e sonhei como ele. E depois disse:

"Uma coisa é certa, aqui é que não vais poder ficar, por isto é seguir e amarrar esta. Segue e lá em cima tomas a decisão se dá para seguir ou não".

E foi assim que cheguei ao cimo da tortura, e posso dizer com muito orgulho e emoção (que a sinto agora que estou a escrever), com 10 minutos antes da barreira horária.


Tinha acabado de ultrapassar o meu maior fantasma.
Aqui o Álvaro Carvalho foi fundamental.
Perguntou, acompanhou, brincou, gozou, apoiou e retirou-me lastro de cima. Esteve ali.

Foi ele e a bendita Coca-Cola, Bolo Lêvedo, Marmelada e Sal Grosso.


Após largos minutos a recuperar e ver todos passarem, o corpo estabilizou e a mente voltou a mandar.
Passaram todos, só faltando o Coxo da Aldeia, que não passou, porque o Coxo da Aldeia era... EU!!!

Neste momento a decisão foi tomada.




É para ir até aos 33 kms do EPIC, porque pensava que era este o próximo posto de abastecimento.


Tocou o alarme. Fui o último a sair do posto de abastecimento, levando a incumbência de ser o Vassoura da Prova a partir dali. Ficaram com o meu número e segue por aí abaixo.

Novo desafio para o corpo e pensamento.

22 km de descida agressiva!!!

Logo aos 1ºs metros, dores como já esperava.

Só que estava preparado e levou 2 comprimidos, tal como no EPIC.

E liguei o chip: "Vai doer e tu vais seguir".

Apanhei um filho e um pai, a quem dei um comprimido, porque estava mal do joelho e acompanhei o filho que disse ao pai: "Vou rolar um pouco".

Cerrei os dentes, segui por ali abaixo, deixei-os para trás, alcancei o Sr. de 60 anos que tinha cólicas e que não devia ter saído do 2º posto, mas foi teimoso. Perguntei se estava bem e ele disse que sim, que não podia correr, mas ia andando.

Segui. As dores não paravam, mas aí falei alto com o meu próprio corpo e fizemos um acordo:

"Tu vais aguentar-me e vais levar-nos até ao fim e eu amanhã cuido de ti".

Ele aceitou, mas penso que estava com dúvidas ou queria testar-me porque dava uma picadas lacinantes.

Sempre que elas vinham, eu gritava-lhe "NÃO É ESTE O NOSSO ACORDO!!! VAMOS ATÉ AO FIM". E cerrava os dentes.

Avistei um casal que tinha saído do posto 2 com dificuldades, mas muito à frente de mim e ganhei ânimo, que perdi imediatamente quando me deu uma cãibra terrível num músculo que nem sei que existia.

Pensei que era o fim...

Metei a garrafinha do ShotGun à boca e 3 rodelas de banana desidratada. Sentei-me e suspirei.

Mas comecei a relaxar. Levantei-me. Comecei a caminhar. Estava a dar.

Comecei a mentalizar-me que só tinha que fazer mais 10 km até aos 33 e fui por lá abaixo.

Voltei a conseguir descer como já não conseguia há muito e fui ganhando confiança.

Avistei o tal casal e mais 1 que tinham passado por mim com grande distância nos 23 kms. E isto foi uma motivação.

Comecei a tentar apanhá-los e depois a tentar seguir à sua frente.

Os 33 não chegavam. Para mim e para eles. Que raio se passava? Afinal eram 35 e quando lá cheguei a alegria já dominava tudo, porque tinha batido o meu recorde. Tinha ultrapassado o EPIC e estava 1 hora à frente do tempo limite.

A partir daqui eu já tinha a certeza que ia chegar ao fim. Nem que fosse a rastejar.

Só tinha agora que chegar ao posto do CR7. O da Herbalife. E ainda por cima entre amigos.

Mal cheguei disse-lhe: "Tu tens a noção que ao chegar até aqui, acabei de fazer uma Maratona?".

Ao que ele respondeu "É incrível o que fizeste até hoje, desde que começaste o ano passado em Novembro com os 15."

Estava eu no meio de uma amena cavaqueira, a beber a bebida do Ronaldo e eis que...

... toca o telemóvel!!!

Alexandra Moreira a saber por onde raio andava. Até parecia aquelas mães que não sabem dos filhos - LOL!!! Depois de responder "Estás a interromper a minha prova e a minha conversa com o Miguel", desliguei e disse "Bem tenho que ir que a patroa está a chamar".

Aqui o último casal com quem andava a discutir kms, tomou uma má decisão. Decidiu não parar no posto e seguiu caminho. Quando o fizeram pensei comigo: "Erro. E vão pagá-lo daqui a pouco".

Depois de 10-15 minutos de recuperação, arranquei em corrida e confiante.

Estava radiante, mas não podia deitar tudo a perder, pois é nestes momentos em que uma pequena desconcentração pode deitar tudo a perder.

Como tinha previsto, aproximei-me do casal. Acompanhei-os e fomos falando um pouco, mas percebi que o ritmo deles já não era o meu e eu neste ponto tinha definido os 2 últimos objectivos do dia:

- Chegar antes das 16:30 e assim fazer 8 horas de corrida;

- Cortar a meta com um salto.



Nesta já não estava em mim. Estava nas nuvens. E é precisamente nestes momentos que podemos cair. Ao dar um passo mais largo, apareceu uma cãibra não sei bem saída donde, mas disse a mim mesmo: "Agora já não há dor ou cãibra que me pare".

500 metros, curva e entrada na reta final, onde fui passando pelo meio de outros runners que me saudavam e incentivavam dizendo "deixem passar mais um runner", enquanto batiam palmas.

100 metros e lá está ela. A minha dama e a meta.

Aí olho e vejo todos os #letsrunazores à espera. Bruno Pacheco vem ao meu encontro para felicitar e entregar a bandeira. Miguel corre ao meu lado.


Chega a meta e dou o salto!!!


Finisher.

Eu e as Adidas.

Que mais podia querer?

Um beijo da minha amada.

Felicidade completa...

domingo, 13 de novembro de 2016

COMUNS MORTAIS DOS 45 KMS


Muitos chamaram-nos heróis, máquinas, gigantes, grandes, valentes, ah e claro, malucos, doidos.

Nada disto.

Somos apenas comuns mortais como todos vocês, que decidiram testar-se ao máximo.

Choramos com as dores, pensamos em desistir quando a vontade de vomitar é mais do que a vontade de chegar ao fim, sentimo-nos com as forças sugadas ao limite ao olhar para a frente e ver um caminho ainda mais inclinado do que aquele que acabamos de fazer e que nos pôs de rastos, gritamos de desespero quando estamos perto e sentimos partes do corpo a querer falhar, rezamos a pedir ajuda para o sonho não ficar interrompido, sonhamos com o que vamos sentir no final, damos por nós a falar alto a negociar com o nosso corpo "levas-me até ao fim e eu amanhã trato bem de ti", gritamos "vamos juntos até ao final", ajudamos os nossos adversários indicando-lhes que estão no caminho errado, mesmo que eles estejam à nossa frente e a nossa vontade seja ultrapassá-los, puxamos por todos quando os vamos ultrapassando, mas também quando eles nos vão ultrapassando, ajudamos a organização arranjando alguma marcação que esteja caída, porque quem vem atrás merece todo o nosso respeito, preocupamos-nos em saber do estado dos que sabemos estar em dificuldades, mesmo que não saibamos quem são e mesmo sabendo que nunca mais na vida os podemos vir a ver outra vez, ansiamos e desesperamos pelo próximo posto de abastecimento, brincamos quando chegamos lá, tentando descomprimir um pouco mais para ganhar mais um bocadinho de forças para seguir, sorrimos ou choramos quando vemos a meta a aproximar, porque é o culminar de todas as sensações que descrevi acima.

Como vêem não fazemos nem mais nem mais do que todo e cada um faz no seu dia a dia.

Acima de tudo este grupo que está aqui na foto e muitos mais que conheço que estiveram ao nosso lado mas estavam nas fotos dos seus grupos, respeitam-se e uniram-se pelo sentimento do trail que nos faz sentir como irmãos.

No entanto quero confessar-vos uma coisa que me faz querer fazer sempre mais e mais difícil:

Quero ser um exemplo para vocês e com este exemplo tentar mudar o mundo.

Quero mostrar que se um "velhote" de 44 anos, que em 2015 tinha 80 kgs e detestava correr, que fez pela 1ª vez 15 km em novembro de 2015, que nunca tinha tempo para fazer exercício físico, porque as desculpas eram mais do que a vontade, que tem mazelas nos joelhos, que quando via uma subida parava e só pensava em desistir, que é um homem e que como todos os homens (dizem elas) não aguenta a dor (LOL!!!), se uma pessoa assim consegue, TODOS VOCÊS CONSEGUEM.

Não estou a dizer para correrem, fazerem maratonas, ultra-trais.

Estou somente a dizer para encontrarem os vossos próprios desafios, encontrem os vossos próprios "45 kms" e vão atrás deles.

Não desistam de lutar!!!

Não somos heróis.

Heróis são os polícias, os bombeiros, os professores, os médicos, os enfermeiros.

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

NEED MOTIVATION? LISTEN TO THE LYRICS OF "THE CLIMB"






I can almost see it
That dream I'm dreaming, but
There's a voice inside my head saying
You'll never reach it


Every step I'm taking
Every move I make, feels
Lost, with no direction


My faith is shaking
But I, I gotta keep trying
Gotta keep my head held high


There's always gonna be another mountain
I'm always gonna wanna make it move
Always gonna be an uphill battle
Sometimes I'm gonna have to lose


Ain't about how fast I get there
Ain't about what's waiting
On the other side
It's the climb


The struggles I'm facing
The chances I'm taking
Sometimes might knock me down, but
No I'm not breaking
I may not know it


But these are the moments that
I'm gonna remember most, yeah
Just gotta keep going
And I, I gotta be strong
Just keep pushing on


'Cause, there's always gonna be another mountain
I'm always gonna wanna make it move
Always gonna be an uphill battle
Sometimes I'm gonna have to lose


Ain't about how fast I get there
Ain't about what's waiting on the other side
It's the climb


'Cause, there's always gonna be another mountain
I'm always gonna wanna make it move
Always gonna be an uphill battle
Sometimes I'm gonna have to lose


Ain't about how fast I get there
Ain't about what's waiting on the other side
It's the climb


Keep on moving, keep climbing
Keep the faith, baby


It's all about
It's all about the climb


Keep the faith
Keep your faith




quinta-feira, 27 de agosto de 2015

SÃO 8 AS DEFESAS QUE O SPORTING NÃO MERECE

São 8 as defesas que o Sporting não merece.
São elas, a defesa:
- de que não se passa nada de escuro e esquisito nos meandros das UEFA's e FIFA's;
- dos árbitros e das arbitragens verdadeiramente horríveis que acontecessem nos jogos europeus onde as equipas portuguesas participam;
- da não introdução das tecnologias no futebol, que poderiam aclarar algumas situações de difícil avaliação pelo ser humano;
- de que mais pessoas nas equipas de arbitragem aumentam a eficácia das mesmas;
- do seu treinador, porque demonstrou mais uma vez não ser treinador de Champions (e das outras competições, acrescento eu), como já tinha demonstrado no passado, para além de não ter preparado a equipa para jogar ao fim de semana e a meio da semana e não ter lido o jogo atempadamente, pois acima de tudo acha-se mais do que é e é pouco humilde, pondo sempre a sua arrogância e "caganca" acima do clube para o qual trabalha;
- do seu processo defensivo, que foi totalmente "comido" em todos os golos;
- dos seus jogadores e da forma como abordaram o jogo na segunda parte;
- de que a culpa foi inteiramente das arbitragens.
O Sporting merece ser melhor defendido do que as desculpas que li.

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

NO SÉCULO XVI, COMO AGORA

Já dizia Camões:

Fazei, Senhor, que nunca os admirados
Alemães, Galos, Ítalos e Ingleses,
possam dizer que são para mandados,
mais que para mandar, os Portugueses.
Tomai conselho só d'experimentados,
que viram largos anos, largos meses,
que, posto que em cientes muito cabe,
mais em particular o experto sabe.

(Canto X d'Os Lusíadas)

NOVO PENSAMENTO

Porque a experiencia he madre das cousas, por ella soubemos rradicalmente a verdade.” – Duarte Pacheco Pereira na sua obra Esmeraldo de Situ Orbis, dedicada ao rei D. Manuel, e lido no livro Quem Se Atreveu a Tanto? de Sérgio Luís de Carvalho

QUEM SE ATREVEU A TANTO?

Livro fácil de ler e que mais uma vez me mostra duas coisas:
- somos um pais de pessoas extraordinárias;
- somos um pais que, pelas invejas e mesquinhices, desaproveita todo o gênio que produzimos.


PS: Este foi o primeiro dos 4 dias e levou 1 dia e meio. O seguinte está a levar um pouquinho mais de tempo porque para além de ser mais "duro" é em español ;)

REFLETINDO SOBRE O FACEBOOK. SERÁ QUE VOU VOLTAR?

Nos últimos 4 dias quis provar a mim mesmo que não preciso do facebook no meu dia a dia.

Foram 4 dias sem aceder ao facebook mesmo estando o ícone ali mesmo ao alcance do toque no tablet.
E acreditem ou não, nem pestanejei ou senti qualquer tipo de problema nisto.
Não sei se vou voltar ou não.
Ainda não me decidi.
Acima de tudo, porque se já estava na dúvida, hoje ainda fiquei mais.
Não que tenha deixado de acreditar que o facebook é uma excelente ferramenta de convívio ou de trabalho, mas porque acho que as pessoas não estão preparadas para lidar com o que os outros nele partilham.
Só porque apareço a rir e a fazer coisas diferentes, tenho forçosamente que estar bem na vida?
Alguém sabe o que raio se passa da porta da minha casa para dentro?
E mais, porque raio tem que estar a interpretar seja o que for da minha vida pelo que partilho?
Só porque somos ativos na nossa página do face, significa que uma empresa tem sucesso e está a ganhar muito dinheiro?
E se eu agora desaparecer do face, será que fali?
Será que deixei de estar bem na vida?
E se faço pela vida, lutando cada segundo da minha existência, sacrificando o meu bem estar, a minha saúde, a minha família, indo para fora da minha terra durante semanas seguidas para conseguir trabalhar, significa que passaram ou desapareceram as dificuldades? Será que devo ser castigado por partilhar episódios do meu dia a dia?
Uns dizem-me que me exponho demais.
Outros que adoram a forma como partilho pequenos episódios e histórias que lhes fazem sentir que não é só a eles que acontecem.
Alguns pedem-me para publicar coisas que não gostaram.
Mas depois também se recebe o outro lado da moeda e através do mesmo face agradecem-nos por termos ajudado na vida e ensinado muita coisa.
Hoje não sei se fiquei triste, chateado, zangado ou simplesmente desiludido.
Cheguei foi a uma conclusão:
Não é o facebook que é mau. Mau é o que as pessoas pensam do que nele é publicado.

sábado, 11 de julho de 2015

UNS FAZEM MANIFESTAÇÕES E GREVES. OUTROS FAZEM-SE À VIDA

Da minha recente viagem retive dois aspectos interessantes de empresas de atividades onde tem existido contestação e resistência aos novos tempos. Refiro-me à aviação e aos taxis.

Viajei na Ryanair e o que senti foi um foco imenso na vertente comercial. Em tudo o que fazem desde que chegamos dentro do avião está sempre presente o levar-te a querer consumir, que é diferente do impingir-te coisas para comprar. Todas as pessoas do Staff, desde quem conduz o avião até quem serve os passageiros está focado em vender, seja no próprio vôo, seja em outros. E fazem com que nos sintamos bem. Um amigo meu que estava na mesma viagem, a sua primeira de lowcost, disse-me no fim: "julgava que ia estar a ser bombardeado com coisas para comprar e a ser massacrado, mas afinal são muito sóbrios.". Parece que todos percebem que se a empresa não tiver sucesso não há ordenados para ninguém e por isto todos puxam para o mesmo lado.

Em Madrid no taxi que me levou da estação do comboio para o aeroporto fui surpreendido com um cartaz onde é anunciado a aplicação móvel dos taxis de Madrid, ou seja, uma aplicação onde podemos não só reservar, como pagar a corrida de táxi. Ora isto não é mais, nem menos, do que reagir com inteligência à concorrência da Uber, porque acima de tudo o sucesso desta mais que uma questão legal e jurídica, é uma questão de escolha do cliente por insatisfação no serviço prestado pelo táxi.

Ora nestes 2 exemplos o que vi foi vontade de resolver os pontos fracos de uma atividade tradicional e aplicar velhos conceitos com uma nova atitude. Quer na Ryanair, quer nos Táxis de Madrid, não se aplicaram regras de gestão muito complicadas. Bastou transformar todos os colaboradores em comerciais, no primeiro caso, e adaptar-se às práticas que os clientes preferem na nossa concorrência, no segundo caso.

Uns utilizam a inteligência para combater as adversidades e agarrar as oportunidades.

Outros preferem fazer greves, manifestações e tolices.