sábado, 20 de dezembro de 2008

AS COMPRAS...

Hoje vi na António José de Almeida um homem, sozinho, olhando uma montra cheia de bijuterias. No olhar aquele ar de preocupação comum a tantos e tantos homens que ainda não desistiram de ano após ano comprar algo para quem os acompanha na saúde e na dor, na alegria e na tristeza, até que a morte os separe. Ele procurava, olhava, mirava, tentava, no entanto a sua mente apontava para a loja do lado, onde manequins exibiam arrojadamente lingeries sedutoras que terminavam em fofas e felpudas botas de pelo. A  sua imaginação levava-o para mundos diferentes. Naquela cara o velho dilema: oferecer aquilo que se pensa que ela irá gostar ou aquilo que ela poderá gostar mas o pudor não lhe permitirá estupidamente demonstrar? É que afinal por muito progresso que haja, em muitos lares a cumplicidade romântica fica à porta. Por vergonha, por estéreotipos, pelo medo do que os outros diriam se se soubesse que se gosta de gozar com a nossa cara metade. No final, no dia 25, quase de certeza no sapatinho irá estar aquele cordão, que ele não gosta, mas vai dizer que é a cara dela, e que ela também não gosta, mas vai dizer que era mesmo aquilo que queria. Aqui começa a infelicidade e o miserabilismo de tantos casais por este mundo fora, disfarçado tantas outras vezes pelo: "tens aqui este dinheiro para comprares o que quiseres"...

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