"No segundo caso estamos perante algo mais complexo mas que todavia está no cerne da actuação de muitas organizações cujo tipo de actividade pode vir a ser posto em causa pela divergência entre vários valores predominantes em simultâneo, mas divergentes, na mesma sociedade.
Caso típico é o de uma empresa de exploração de casinos. Efectivamente este tipo de actividade é, geralmente, criticável em termos éticos. Porém, como é sabido, tais empresas podem proporcionar a uma dada região benefícios económicos substanciais, quer através da criação directa de emprego quer através do desenvolvimento turístico da região.
Temos aqui um caso flagrante de uma empresa que terá de «negociar» a sua legitimidade com a envolvente contextual. De facto, ela deverá encontrar suficientes argumentos baseados em certos valores positivos que sejam capazes de eliminar a carga negativa junto de outros valores.
É assim que geralmente vemos empresas de jogo financiando obras sociais ou complexos desportivos; empresas de tabacos financiando hospitais ou pesquisa científica no âmbito da
medicina.
Exemplo típico é igualmente o da produção de energia eléctrica. Se o resultado da actividade da empresa - a energia eléctrica - é algo declaradamente desejável pela sociedade, já a sua produção levanta questões que em muito exorbitam o nível técnico - subsistema operacional - ou mesmo a questão de angariação
de recursos - subsistema de gestão. Em termos simples podemos dizer que há três formas de produção industrial de electricidade - hidroeléctrica, térmica (utilizando carvão, gás ou fuel) e nuclear. O grande problema que se põe é que qualquer destas formas de produção apresenta consequências nefastas..." retirado do livro INTRODUÇÃO À GESTÃO - Uma abordagem sistémica, de António de Sousa.
Bem, é que agora já não sou só eu a dizer algumas coisas para fora e para dentro...
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