Eu não me considero um velho do Restelo, mas há fenômenos que geralmente não sigo cega e euforicamente.
Ao ler agora um artigo sobre os perigos que o mundo se está a deparar com o gigante China, devido à enorme disparidade entre o seu crescimento económico e o seu crescimento real, dá-me uma ligeira vontade de rir.
Dá-me vontade de rir, porque de um momento para o outro a euforia deu lugar ao medo.
E isto acontece, porque o mundo ocidental esquece muito facilmente os seus princípios e os seus valores.
De um dia para o outro as violações dos direitos humanos, a não existência de liberdade de expressão e opinião, os monstruosos atentados ambientais, a extrema pobreza, a precariedade de todas as infraestruturas, a contínua intervenção estatal em tudo, a corrupção, o comunismo, foram ignorados face à dimensão do mercado e dos potenciais lucros.
Tudo aquilo pelo que lutamos nos nossos países como certo e justo foi desconsiderado perante o El Dourado que ia trazer infinita e imediata riqueza a todos.
Mas esqueceram-se de uma das mais básicas regras das finanças: os potenciais ganhos aumentam, quanto mais risco se assume.
Agora basta acontecer um dos inúmeros e corriqueiros episódios rocambolescos que são perfeitamente normais de acontecer naquele tipo de país do 3 mundo e toda a economia mundial treme como varas verdes.
Considero que Portugal deve direcionar a sua internacionalização para países cujos ganhos embora não sendo tão grandes como os que potencialmente poderiam ser obtidos com relações comerciais com Chinas ou Índias, acabam por ser "mais" seguros por virem de países cujos valores e modos de actuação são mais consentâneos com tudo aquilo que defendemos.
A ética e os valores não podem estar dissociados dos negócios sob pena disto se virar contra as próprias empresas.
E não tenham dúvidas que se vira.
No nosso caso dos Açores os cuidados ainda têm que ser maiores, porque sair do nosso mercado para ir buscar mais e maiores problemas é uma asneira muito grande.
Temos de procurar qualidade e não só quantidade.
De que vale vender mais se depois não se consegue receber, como acontece em tantos países dos PALOPS?
Para isto bastava ficar nos Açores!
domingo, 22 de abril de 2007
FENÔMENO CHINA
Desabafo de Simão Pfc Neves @ 09:56
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