domingo, 22 de abril de 2007

DESABAFO DO FUNDO DO ATLÂNTICO - 3

Choque Fiscal
por SPN

Nos últimos tempos muito tem-se falado da necessidade de reduzir impostos para ajudar no aquecimento da economia.
Uns dizem-se a favor enquanto outros dizem-se contra.
Os dados de outros países europeus não são conclusivos, porque tanto existem países com elevadas cargas fiscais e elevados crescimentos, como outros há que apresentam o cenário fiscal contrário com os mesmos resultados positivos ao nível do crescimento.

Então eu acho que a discussão não pode ser por aí. Portugal é um país que tem necessidades financeiras para fazer face a despesas que teima em não querer cortar, ao invés de cortar, como o faz, em investimento produtivo e de desenvolvimento.

O problema que as nossas empresas enfrentam não é econômico, mas acima de tudo financeiro. Basta olhar para os resultados que são apresentados e divulgados para apercebermo-nos desta realidade.
O problema é que as empresas não têm liquidez no seu dia a dia, seja porque não recebem dos seus clientes, seja porque têm que periodicamente alimentar a máquina fiscal do Estado com pagamentos por conta daquilo que supostamente irão ser os seus ganhos neste exercício.

Ora aqui é que reside actualmente um grave e injusto problema que atinge as nossas empresas: os pagamentos por conta.
O Estado, tal como uma enorme faixa de portugueses com os plafons das contas vencimentos, faz antecipação de rendimentos. A única diferença é que no 1 caso, o Estado está a antecipar rendimentos que no limite podem não ser seus!

E porquê?

Porque os pagamentos por conta baseiam-se nos volumes de negócio obtidos no ano anterior.
Parte-se de um pressuposto base que a realidade que uma empresa vive num exercício é a mesma que vive no exercício anterior e com isto exige-se que entregue valores ao Estado que podem posteriormente ser devolvidos quando se dizer os apuramentos finais.

A outra diferença é que enquanto as famílias estão a pagar elevadas taxas de juro aos bancos para antecipar um rendimento que será seu, o Estado financia-se a custo zero junto das empresas para antecipar rendimentos que poderá não ser seu...

Mais do que o bolo de impostos que as empresas têm que pagar, pesa-lhes os pagamentos periódicos que tem de entregar tendo a sensação que são uma tremenda injustiça, porque acima de tudo o são mesmo.

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