quarta-feira, 27 de maio de 2009

DEMAGOGIA. HISTERIA. APROVEITAMENTO.

São estas as 2 palavras que me vêm à cabeça quando vejo este novo episódio da menina russa. Atenção que estou somente a falar do episódio das palmadas e não do da entrega à mãe biológica.

Cingindo-me somente às palmadas, eu vi as imagens aqui e sinceramente se foi só aquilo, desculpem lá, mas é o que diariamente um pai ou uma mãe fazem aos filhos e cada um de nós sabe isto muito bem, porque de certeza que em algum momento da sua vida sentiu na pele uma boa rabada no momento certo.

E vou mais longe, se é verdade o que o Ministro do Trabalho e da Solidariedade Social, Vieira da Silva, diz quando afirma que "o que nós vimos corresponde hoje, na nossa moldura penal, a um crime", desculpem lá mas então a lei está estupidamente feita, pois retira toda a autoridade aos pais e coloca um poder inimaginável na mão das crianças.

Sou contra a violência sobre crianças, mas sou a favor de que uma rabada na hora certa faz milagres.

Foi assim que eu fui educado, e bem, e foi assim que a grande maioria de todos nós o fomos também.

Cercear os pais desta hipótese, como segundo parece a lei o faz, é criar uma cambada de animais que ficam com a “falsa” ideia de que tudo lhes é permitido, porque a lei assim o permite.

Mas se calhar também são estas coisas que ajudam a explicar tudo.

8 comentários:

Paulo disse...

É o pais que temos infelizmente...aqueles que nos (menos eu) elegemos. Se todos votassem em branco...

Alvaro disse...

Concordo quanto às palmadas. Mas é preciso ver isto no contexto: quem é que castiga daquela forma um filho de que se está separado há anos, por vontade própria, e que ainda por cima não fala a nossa língua? Claro que a família de acolhimento era pouco severa, então se a miúda, segundo consta, foi maltratada desde que era bebé, o que é que se esperava? Há actualmente um exagero sobre a educação das crianças, em particular sobre a forma de impor limites, mas, bolas, não confudamos as coisas. Estamos a falar de uma situação inaceitável e de uma gravidade para a criança que não tem discussão. Ainda estou para perceber que raio de decisão judicial permitiu uma situação como esta, e outras que se vão repetindo no nosso país. Falam da crise na justiça e da falta de condições: a crise na justiça começa precisamente dentro da própria justiça, com leis absurdas, com um jargão que exclui os leigos de acederem à compreensão (e crítica) da justiça, com juízes e outros actores distanciados da realidade humana, da realidade social, que proferem decisões artificiais, antinaturais, pérfidas por vezes.

Simão Pfc Neves disse...

Há partes que concordo. Mas na parte do não ser rigoroso por causa do historial que a miúda, infelizmente, apresentava acho que é necessário haver algum cuidado. Não se pode deixar fazer tudo o que eles querem, porque depois a vida não é assim.
Quanto a este caso é inexplicável a decisão que foi tomada, porque vai contra o mais básico senso comum, ética, moral, pedagogia, etc. Ninguém pode sequer quantificar os danos psicológicos que a miúda está a sofrer com tudo isto. Para mim, esta decisão vai certamente ter um impacto muito maior nela do que os maus tratos que sofreu anteriormente. Esta decisão sim vai afectar a forma como a personalidade da miúda se formará.
E no meio de tudo isto, é pena é não se "julgar" quem julgou, porque esta sim é que devia explicar e sentir na pele as consequências da sua (má) decisão.
De resto, é claramente criticável a nossa legislação como se pode ver neste exemplo.

Anónimo disse...

"Foi assim que eu fui educado, e bem, e foi assim que a grande maioria de todos nós o fomos também" - nao sei se esse e' um bom argumento. Ha muita gente que foi educada na almanha nazi a odiar Judeus e la' por isso nao esta certo. Agora acho que as palmadas as vezes nao se podem evitar. No filme o facto de a mae dar palmadas na filha nao me assusta muito. Mas assusta-me o facto de ela ao fim de uns dias de ter a filha comece ja' a usar metodos que deviam ser de ultimo recurso. E mais- parece que as palmadas acontecem mais por frustracao do que como ferramenta de educacao. Posso estar a ser muito injusto mas se a senhora ja perdeu a paciencia, imagino daqui ha um mes. Imaginem como a crianca deve estar perdida e desesperada!! Estar de repente no meio da Russia e (ouve-se no filme) a lamentar-se em Portugues. Se fosse um adulto ja devia ser desesperante, nao falar a lingua, e aterrar no meio da Russia contra a minha vontade. Agora uma crianca!!!!

Maria do Rosário Sousa Fardilha disse...

Dado o processo mediático que envolveu o caso pela possibilidade de, mais uma vez, se ter cometido uma grave erro de justiça; dada a circunstância - no decorrer de uma entrevista televisiva; dada a situação - alguns dias apenas após a entrega da criança; dada a causa - a criança está impaciente; a mãe biológica, exasperada, dá umas palmadas e empurra a filha com violência. Não temer pelo bem-estar desta criança e achar que provavelmente ela até merece o tratamento, denota fraco bom senso. (desculpe lá). O julgamento que faz da adequação da lei às práticas de punição mais comuns em Portugal também me parece descabido. A lei deve ser uma referência em termos de conduta. Nenhum pai é posto em tribunal por dar uma palmada pontual no filho desobediente. (nem mesmo por dar tareias recorrentes à mulher e filhos!)

Eu concordo com o senhor ministro: tudo leva a crer que estamos perante uma situação de mau tratamento de uma criança de seis anos. O choro e as palavras da menina parecem-me um pedido de ajuda!

Anónimo disse...

Como é possível este post? Como são possiveis estes comentários?? Primeiro a miuda leva umas palmadas e um empurrão(!) por querer ir para junto da irmã! Ouve-se isso na filmagem e acham bem?? Já se imaginaram a irem para um país onde não conhecem a língua, estarem com pessoas que não conhecem e ainda vos tratam mal, logo nos primeiros dias? E acham que aquele lugar, que parecia um café é um lugar de interesse para uma criança de seis anos? Estou como diz o comentário anterior a lei é uma referência de conduta, mas que não se deve bater nos filhos, isso não deve. E a mãe biológica tem um ar de estar a perder a paciência mas a adulta é ela, não é ela que deve perder as estribeiras e deveria estar a fazer todos os possiveis para receber bem a filha e estar agradecida a pessoas que cuidaram dela gratuitamente!

Simão Pfc Neves disse...

Caro anónimo, este post é possível se conseguir fazer o exercício que é proposto logo no princípio: cingir-se só às palmadas, não pensando na entrega. Porque é este episódio que o Ministro classifica como sendo crime em Portugal, uma vez que o de tirar a menina a quem criou para entregar a quem a maltratou, e pelos vistos vai continuar, não é crime e foi permitido pela nossa (in)justiça e pelos nossos governantes.
É isto que está a ser analisado neste caso e não o resto.
Até porque se reparar nos meus comentários percebe bem a minha posição acerca do tal outro episódio: o da (estúpida) entrega.

Anónimo disse...

Eu também não estou a dizer que o senhor está a favor da entrega. O que me parece óbvio é que umas palmadas daquelas não são nada educativas e são graves. Há muito mediatismo à volta deste caso, sim, mas não é por isso que não nos devemos indignar com as atitudes da mãe. Se eu visse aquilo acontecer à minha frente também ficava indignada fossem portugueses ou estrangeiros. A mãe não tem desculpa nenhuma para o que fez. Agora concordo que muita gente se sinta indignada com as imagens e critique e depois com os seus filhos faça o mesmo, ou pior, mas não deixa de ser errado e condenável e no final de tudo: inútil!