quinta-feira, 31 de julho de 2008

CHINA: O ENGANO DA GANÂNCIA

Acredito que neste momento muitas e muitas empresas por este mundo fora devem estar a começar a ficar nervosas com o facto de terem posto toda a sua produção nas mãos da China.
Eu em tempos já tinha escrito que não percebia esta euforia, esta febre de deslocalização para a China, simplesmente porque eles não tinham deixado de ser quem eram. E dizia ainda que ia gostar de ver como iam ser as coisas no momento a seguir à cerimônia de encerramento dos Jogos Olímpicos.
Infelizmente eu estava enganado. Não foi preciso esperar tanto tempo. Bastou estarem esgotados os bilhetes e afinal já se começou a ver que eles não mudaram. Primeiro foi a Amnistia Internacional a alertar para o facto de ter aumentado a repressão, agora foram os jornalistas a dizer que têm a sua acção restringida e para isto estar a acontecer não haja dúvida que devem estar a ser observados minuto a minuto. O que se seguirá?
O Ocidente traçou o seu caminho quando indo atrás da ganância de mais e mais resultados se esqueceu de regras básicas de gestão. Uma destas regras é que o que regula o mercado é a lei da oferta e da procura. E que existe um ponto a partir do qual não serve de nada ter uma oferta muito baixa, porque não existe procura. Neste momento começou-se a verificar que a procura está a desaparecer, porque os EUA e a EUROPA, que são os principais mercados um do outro estão em crise, muito por causa do efeito que a deslocalização tem tido sobre o emprego. Custe o que custar aos teóricos da economia, que de certeza dirão que eu não percebo nada disto, o que é certo é que o desemprego aumentou e muito na EUROPA e nos EUA, com reflexos claros na procura interna que era o verdadeiro sustentáculo, simplesmente, porque tinha um efeito muito importante, o de gerar emprego interno. Agora o que acontece é que ninguém pode comprar, porque não tem dinheiro, porque não tem emprego. Para além do que agora também se percebe que os Estados não podem, nem deviam ter andado a sustentar malandros, porque agora não têm forma de apoiar e incentivar quem quer trabalhar, mas não tem onde.
E meus amigos não tenham dúvidas que os piores efeitos da deslocalização ainda estão para vir e vão ocorrer quando a China começar a brincar com as portas do seu país, ou seja, quando começarem a impor as restrições e a fazer valer a sua vontade. Do gênero, ou é assim, ou passa a ser nosso.
Infelizmente, os mais espertos afinal não somos nós Ocidentais. Foram eles que nos estenderam uma passadeira vermelha. E nós com a nossa mania de que somos mais espertos do que todos os outros entramos sem criar as nossas defesas.
E se acham que eu sou exagerado, basta olhar à nossa volta ou ler as notícias e vamos perceber que já existem empresas a fazer o caminho inverso, ou seja, a sair da China e a vir para a Europa. É que quem compra não são os chineses, porque estes recebem de ordenado um prato de arroz e não estão preocupados em ter coisas, por isto é que são mão de obra barata, não é?

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