sexta-feira, 23 de maio de 2008

ÉS BURRO? ESTÁS A FALAR TÃO DIREITINHO

Atente-se muito bem neste diálogo entre jovens amigos açorianos:

"sabes uma coisa que tens que me irrita? É que falas sempre como se tivesses na escola..."

"Como assim?"

"então falas bem e isso n é preciso qd se ta com amigos, irritas-me mesmo"
"é que toda a gente já sabe que tas na universidade e q és bom aluno não precisas de tar sempre a mostrar e muito menos fazer os outros parecerem burros"

Sabem o que o outro estava a fazer?

Só estava a falar o português correctamente. Mais nada do que isto.

Este é um sinal muito importante do que se está a passar na nossa sociedade onde quem faz o correcto é mal visto e até posto um pouco de parte. Quando as pessoas têm uma personalidade forte, isto não tem problema, porque conseguem passar por cima. Quando não têm, tem-se o que se vê por aí...

2 comentários:

Tibério Dinis disse...

Interessante, já tive episódios semelhantes quando regresso aos Açores.

Não é a questão do falar bem e querer ser inteligente, também optei pelo português correcto escrito e falado, porque senti na faculdade grandes dificuldades no plano oral e às vezes escrito - palavras que chegam a ter sentido diferente e a própria pronúncia que chega a ser um entrave nas provas orais quando se tenta dizer palavras acima de quatro sílabas.

Agora sempre que vou aos Açores não me livro da expressão "do que tem a mania que está a estudar" a resposta é simples: apartir do momento que a forma de falar tem implicações no meu estudo tenho de a corrigir.

Não é uma questão de sotaque, porque até gosto do sotaque terceirense e açoriano, mas não me vou prejudicar por isso...

Bom Post

Anónimo disse...

Ém, fêxame éêssa pôrta!
Porquê, replicaram-me.
Pocáde do vênte ecanàade.
Porquê?
Pcáde o vênte encanade!

Ainda hoje me recordo deste diálogo que travei numa sala de aula com um colega, dois dias depois de ter chegado ao continente.

Professor e colegas riram a bandas despregadas.

O professor, um mestre daqueles à moda antiga, ao verme atrapalhado, disse-me: o sr. nunca tenha vergonha do seu sotaque, que é tão português como os outros. Tenha é vergonha fe falar mal a sua lingua.

Ainda hoje recordo este mestre.