ÀS VEZES ERA BOM QUE AS MÁQUINAS SE ENGANASSEM
Por SPN
Hoje no meio de uma conversa daquelas sem rumo certo que temos diariamente, um conhecido meu deixou escapar a frase que serve de título a este desabafo.
Eu respondi que preferia que isto não acontecesse, porque de certeza ela ia enganar-se exactamente no momento em que eu mais tivesse necessidade dela.
Ele concordou.
Ora nesta pequena conversa, que muitos têm o direito de classificar como da treta, saltam à vista dois assuntos que assolam o nosso imaginário: as máquinas são entidades inteligentes e o português é pessimista por natureza.
Uma máquina nunca pode enganar-se, simplesmente porque ela é uma coisa mandada, que não tem vontade própria. Ela simplesmente responde com "argumentos" que alguém lhe pôs lá dentro (programador) a "perguntas" que alguém está a fazer-lhe (utilizador).
Portanto, em caso de erro só existem duas hipóteses: má programação ou má utilização, ou seja, não culpe a máquina, culpe o Homem.
Por outro lado, em vez de perder tempo com miserabilismos, devemos ganhar tempo tentando antecipar o que corre mal. E é nisto que Portugal perde em relação aos outros: preferimos cantar a desgraça e a saudade do que apregoar e utilizar o positivismo e alegria.
Claro que assim é muito mais difícil sermos um país de empreendedores, mas também para que é que eles servem, se o que vai fazer descer o déficit são os trabalhores por conta de outrem e os impostos sobre as prendas dos pais aos filhos?
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