Tenho tentado ouvir os argumentos de cada lado de modo a poder decidir o meu sentido de voto no referendo do próximo dia 11/02/2007.
Neste momento, dentro de mim o NÃO e o SIM têm argumentos que considero muito importantes.
Se pelo NÃO considero importante não se cair na leviandade de ter relações sexuais sem o mínimo cuidado e sentimento só porque há uma desresponsabilização inerente a uma despenalização do aborto, pelo SIM chama-me a atenção o que acontece às crianças que são postas no mundo só porque os pais não conseguiram fazer um aborto, mas pura e simplesmente são abandonadas à sua sorte.
Estas são as minhas argumentações pessoais e simplesmente minhas que ainda não me permitiram decidir.
E acima de tudo cada uma delas leva-me a um ponto comum: EDUCAÇÃO.
Não ponhamos a cabeça enterrada na areia, partidários do SIM e do NÃO.
Existem questões que não são resolvidas por decreto. São resolvidas por educação que leve à prevenção.
E é aqui que tem de ser feito o grande investivmento: EDUCAÇÃO SEXUAL, para que nem sequer se tenha que colocar à mulher qualquer questão sobre interromper ou não uma gravidez.
Por isto, o título do meu comentário: ACIMA DE TUDO NÃO ENTERRAR A CABEÇA NA AREIA.
Não é por um aborto deixar de ser clandestino e passar a ser feito num estabelecimento de saúde que ele deixa de ser um trauma. É preferível evitá-lo.
Não é por ser proibido fazer um aborto que uma gravidez vai passar a ser desejada e a criança amada.
Se a mulher é responsável para decidir em consciência se pode ou não fazer um aborto, também tem que ser responsável para informar-se e precaver-se antes de ter relações sexuais, até por uma questão de saúde (pessoal e pública).
Se é importante um feto de 10 semanas, não menos importante é a criança que nasce após os 9 meses e que se não for desejada, amada, acarinhada, vai certamente ser ignorada e abandonada (mesmo que não fisicamente) à sua forte, sofrendo mais e por mais tempo do que se lhe fosse retirada a vida até às 10 semanas.
Continuo a dizer que a minha decisão aina não está tomada, mas que dúvidas não tenho que a principal prioridade não é alterar a lei do aborto.
A principal prioridade é tornar efectiva a educação sexual em Portugal, porque isto sim é que irá reduzir quer os números de abortos clandestinos, quer os números de doentes infectados por doenças sexualmente transmissíveis.
Até lá, resta-nos votar no domingo em consciência e não no que o partido A ou B diz para votar.
sexta-feira, 9 de fevereiro de 2007
ABORTO: ACIMA DE TUDO NÃO ENTERRAR A CABEÇA NA AREIA
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